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vol-o dou.E lá do espaço immenso Se amada estrella olhar piedoso envia A quem da terra a adora Se o sol aceita á flôr humilde incenso Ha no amor tambem muita poesia...Minha senhora Thuribulo suspenso inda fluctuo, Em quanto a alma em incenso restituo Mas, quando como fumo que se esvai, Minha alma vás teu rumo.

Deixa que ao espaço immenso os olhos lance O sol antes que expire Que pelo norte a bussola suspire E nelle só descance.Amam leões e tigres.Não ha nada, Anjo que a amor se esconda.Beija a pomba o seu par e abraça a onda A rocha inanimada.Deixa que a nuvem negra tolde a lua Se a leva a tempestade Deixa que eu te ame a ti, cara metade, D esta alma toda tua Maria vêr-te á porta a fazer meia, Olhando para mim de vez em quando, É o que n esta vida me recreia.

mas vejo o que Não sou eu tão tola Que cáia em casar Mulher não é rola, Que tenha um só par Eu tenho um moreno, Tenho um de outra côr, Tenho um mais pequeno, Tenho outro maior.Que mal faz um beijo, Se apenas o dou Desfaz-se-me o pejo, E o gosto ficou Um d elles por graça Deu-me um, e depois, Gostei da chalaça, Paguei-lhe com dois.

Depois de mortos Hemos de vêr-nos, e um no outro absortos Fartar de glorias este amor tão triste. Tão triste, e o coração que me adivinha N este supplicio nosso este tormento Nunca dos labios teus minimo alento N um só beijo bebi em vida minha E morro sem te vêr Cabeça doida, Desasisado amor Sonhar afflicto Um sonho até morrer.

lindo pé que tens, Maria Esse quadril tão largo, e cinta estreita, Me não vinha á idéa noite e dia Esses encontros de mulher perfeita, Esse peito redondo e arqueado Como o de pomba farta e satisfeita.Talvez vivesse então mais socegado, Ou já que minha sorte é sempre triste Ao menos não andasse enfeitiçado.

Perdoa se isto exprime Maldade aos olhos teus Perdoa-me se é crime...Amo tambem a Deus.E á tarde quando o albergue, No solitario val, Incenso queima e se ergue D Abel o fumo igual Da pomba solta o vôo, Baixa-me um olhar teu E dize-me perdôo Sim, tudo aspira ao céo Patria berço d amor, que a alma embala Em quanto a luz vital nos illumina, E onde só descançado se reclina Quem, longe d ella, dôr contínua rala.

Has-de, cysne expirando alçar teu canto, Has-de lá quando a lua da montanha Te acene o extremo adeus, Voar, Candida ao céo, e ebria de encanto, No oceano d amor que as almas banha, Unir teu canto aos seus.Seus, d ellas, mãi e irmã, cinzas cobertas D um só jacto de terra.

Sois feiticeira enfeitiçaes d amores.Enfeitiçaes que a formosura, crêde, Não vem da face avelludada e bella A formosura vem só d alma é d ella Que brota a fonte que nos mata a sêde.Vós sois velhinha, já não tendes côres Que o rosto animem e que os olhos prendam, Mas tendes prendas que o amor accendam, Tendes ainda no inverno.

Então, se por encanto Fallando em ti, mas só, Todo banhado em pranto Me visses, tinhas dó.Tinhas.A piedade É filha da mulher, Que sempre quiz metade D uma afflicção qualquer.Havias ao teu rosto De me apertar a mim, D encher, fartar de gosto, Todo este abysmo sim.

Colhi-o, pul-o no seio, E é hoje o livro que leio.Prestes, se inda na rocha de granito D onde em tempo me vias te sentares, Não olhes para a terra ou para os mares, Olha sim para o céo, que é lá que habito.Lá tão longe de ti, mas não do terno, Bondoso pai que os dois nos ha gerado, Só para mágoas não, que bem guardado Nos tem tambem no céo prazer eterno.

córrego acima, Subo á ponta do penedo Que a vida só quem a estima É que da morte tem medo.A mesma tristeza anima A encarar a pé quedo A morte que se aproxima A tirar-nos do degredo, Que inda a gente se lastima De não acabar mais cedo.E alli sósinha chorando Me lembrava, ora a ventura Da minha infancia, inda quando Levava os dias brincando Ora a desgraça futura, Que me estava annunciando Não sei se a minha amargura, Se uma nuvem, grande e escura, Que se ia no ar formando E vinha já avançando, Como que á minha procura.

nuvem da manhã resplandecente, Manto real de sêda delicada, Cada fio um grilhão que prende a gente.Bem podias, Maria andar tapada Só com o teu cabello, á semelhança Do sol em nuvem de manhã doirada.É tudo encantador.A gente cança, Cança de estar olhando e sempre vendo Um novo encanto a cada olhar que lança.

cinza, em terra, em nada, Meu sêr converte, ó luz, Mas sempre, sempre amada, Deliciosa cruz Em fumo se vai tudo, amigo Olhando Para as nuvens do céo, nuvens d aquellas, E parece-me ainda que mais bellas, Anda a gente fazendo e desmanchando.Dá-me uma saudade em me lembrando O bello tempo que passei com ellas, Por essa immensa abobada de estrellas, Por esse mar de fogo viajando.

Abraços, abraços Que mal nos farão Se Deus me deu braços, Foi essa a razão.Um dia que o alto Me vinha abraçar, Fiquei-lhe d um salto Suspensa no ar.Amores, amores.Deixál-os dizer Se Deus me deu flôres, Foi para as colher.Eu tenho um moreno, Tenho um de outra côr, Tenho um mais pequeno, Tenho outro maior.

bonita, meu amor Que perfeita, que formosa A ti pozeram-te Rosa, Não te fizeram favor.A rosa, quem ha que a veja Bandeando, sem gostar Mas por mais linda que seja A rosa, quando se embala, Não te ganha nem iguala A ti em indo a andar.A rosa tem linda côr, Não ha flôr de côr mais linda Mas a tua côr ainda É mais fina e é melhor.

Agora carcomida.Colhesse-as eu mais cedo E logo que alvorece Já não tivesse medo Que a terra m as comesse.Mas pura, como a neve Que ás vezes cahe na serra, É que a nossa alma deve Tambem voar da terra.Gelasse a morte fria A mão profanadora Que te ennublasse um dia A luz que dás agora.

largo espaço Que te não vejo, espero Lhe contes o que eu passo N este aspero desterro Que assim que te não veja É noite fria e escura, Noite que mette inveja Á mesma sepultura Em acordando agora, O meu contentamento É vêr em cada aurora Um dia de tormento Podesse eu dar-te a prova Dos dias que me esperam, Lançando-me na cova Onde elles te pozeram Lançassem-me algum dia Ao pé, que de repente O coração te havia De ainda pular quente.

admira a mim que o sol, monarcha De indisputavel throno, e throno eterno Em céo e terra e mar Que em seu imperio o mundo inteiro abarca Abaixe á pobre flôr seu dôce e terno, Mavioso olhar.Não me admira a mim que a crystallina, Tão pura, onda do mar, que espelha a face Do astro creador, Que essas asperas rochas cava e mina, Á praia toda languida se abrace E toda amor Mas sendo vós um sêr mais precioso Do que onda e sol um anjo de poesia Inspirada e que inspira Que ás minhas mãos, das vossas, tão mimoso, Delicado penhor descesse um dia É que me admira.

valle, ambas irmãs, nascidas fomos És como eu sou E amamo-nos, e flôres ambas somos, Mas eu não vôo.A ti leva-te o ar prende-me a terra A mim e eu Como hei-de perfumar-te em valle e serra, E lá no céo...Mais longe inda tu vás, por outras flôres.

loureirinho, Que era o que havia só, Encontra-o no caminho, Ia-o fazendo em pó.D aqui passa, á maneira Assim d um caracol, Áquella farrobeira Põe-lhe a raiz ao sol.Aquelle enorme tronco Quiz resistir, depois, Ouviu-se um grande ronco, Quando o eu vejo em dois.

escolha.Está na mesa O que ha em casa é tirar Tirar com toda a franqueza Inda hão-de espinhos sobrar.Mas se espinhos, mas se abrolhos Lhe não agradam, amor Mire-se bem nos meus olhos, Que ha-de ahi vêr...uma flôr.Emilia não vês a lua Como vacilla e fluctua, Ora avança, ora recúa, E não ha passar d alli Tu és a imagem d ella És tão sympathica e bella, Meiga e timida, que ao vêl-a Me lembra sempre de ti Tu és o botão de rosa Que abraçado á mãi formosa Só folga, só vive e goza N aquella triste união Treme até de ouvir a aragem Passar por entre a folhagem Emilia tu és a imagem Do mais timido botão.